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8 de Agosto – Dia Nacional de Combate ao Colesterol

Henrique Tria Bianco, MD, PhD;
Maria Cristina de Oliveira Izar, MD, PhD;
Francisco Antonio Helfenstein Fonseca

Setor de Lípides, Aterosclerose e Biologia Vascular Universidade Federal de São Paulo

COLESTEROL

O colesterol alto pode trazer inúmeros riscos para a saúde, entre eles o desenvolvimento de doenças isquêmicas. Para conscientizar a população sobre a importância da prevenção, foi criado em 2003, o Dia Nacional de Combate ao Colesterol, comemorado em 8 de agosto. A rigor, o colesterol é um composto químico do grupo dos álcoois. Tem a textura e a aparência de uma cera gordurosa. Apesar da péssima fama, o colesterol é essencial ao organismo, pois está presente na estrutura de todas as células, forma ácidos biliares que atuam na digestão e faz parte da composição dos hormônios e de algumas vitaminas, notadamente a vitamina D. Por ser insolúvel em meio aquoso, como nosso sangue, ele é transportado por lipoproteínas, que são medidas e expressas por sua densidade (relação entre massa e volume).

COMPOSIÇÃO

O colesterol é só um. O que varia é seu meio de transporte. A carona, bem como o destino, depende das lipoproteínas, que são conglomerados protéicos, gorduras e outras substâncias. Elas podem ser de alta ou de baixa densidade, dependendo da composição, e têm funções diferentes. O colesterol contido nas chamadas lipoproteínas de baixa densidade é chamado de LDL (do inglês low density lipoprotein). O LDL leva o colesterol para as nossas células e, em excesso, pode se depositar nas paredes das artérias, formando placas que aumentam o risco de infarto e derrame, processo conhecido como aterosclerose. É por isso que o LDL é o vilão da história, o “mau colesterol”, e seu nível deve ser mantido baixo. Já quem tira o colesterol das células, para ser eliminado, são as lipoproteínas de alta densidade, ou HDL (do inglês high density lipoprotein). Ele é o mocinho, pois ajuda a evitar o entupimento das artérias, por isso é bom que esteja alto.

Grande parte da fabricação do colesterol acontece no fígado. Desta feita, o colesterol é, então, liberado na corrente sanguínea e distribuído para os tecidos, onde pode ser utilizado ou armazenado no tecido adiposo, a camada de gordura que temos abaixo da pele. As lipoproteínas de baixa densidade são capturadas por receptores no interior das células, e aí o colesterol livre é depositado. Já as partículas de HDL são formadas não só no fígado, como também no intestino e na circulação.

FATORES DE RISCO

-História familiar: as dislipidemias podem ter origem genética e serem herdadas de pais para filhos. É a chamada hipercolesterolemia familiar, condição que raramente pode ser tratada apenas com mudanças no estilo de vida. Vários genes já foram associados à esta condição.

-Sedentarismo: a atividade física ajuda a “queimar” o colesterol ruim (LDL) e a aumentar o bom (HDL).

  • Dieta inadequada: excesso de gorduras e carboidratos, somado à quantidade insuficiente de fibras e alimentos antioxidantes, pode causar aumento do colesterol ruim. Uma vez diagnosticado, o tratamento do colesterol elevado deve ser imediatamente iniciado, com adoção de mudanças no estilo de vida e, se necessário, uso de medicamentos.

TRATAMENTO

As estatinas são as medicações mais seguras e importantes no controle do colesterol. Inibem a produção de colesterol no fígado (a maior fonte de colesterol no organismo) e aumentam a remoção do colesterol ruim do sangue pelo fígado, diminuindo o nível de colesterol total. Elas também ajudam a reduzir o teor de gordura no sangue, além de melhorar a elasticidade das artérias. O tratamento adequado com a medicação, associado à mudança do estilo de vida com atividade física e dieta, é fundamental nos casos de hipercolesterolemia.

No dia Nacional de Combate ao Colesterol reforçamos que em todos os dias, precisamos estar atentos aos cuidados necessários para que não haja consequências mais sérias, decorrentes desta doença.

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